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NOTÍCIA

  12 de December de 2016

Elmano defende que Brasil precisa ter maior capacidade de poupar e investir na infraestrutura para superar crise

O Brasil possui problemas seculares de gestão pública que nos levaram a um quadro em que regiões menos desenvolvidas se tornaram meros apêndices do processo de integração nacional

O senador Elmano Férrer (PTB) discursou no plenário do Senado apontando a exaustão do modelo de Estado atual, especialmente no Brasil, que exige a necessidade de reavaliá-lo, redefinindo mecanismos de ação e, antes de tudo, introduzindo novas práticas na gestão pública.

De acordo com o parlamentar, não se pode falar em reinvenção do estado brasileiro sem uma nova dimensão do pacto federativo. “A ação do Estado terá que ser incisiva para atenuar os desequilíbrios regionais. O Brasil possui problemas seculares de gestão pública que nos levaram a um quadro em que regiões menos desenvolvidas se tornaram meros apêndices do processo de integração nacional. Multiplicou-se a concentração de riquezas e as desigualdades regionais”, acrescentou.

Elmano ressaltou que o Estado brasileiro está imobilizado e pressionado. De um lado, por uma estrutura político-administrativa pesada, morosa, viciada; de outro lado, pela pressão da sociedade, cada vez mais insatisfeita com os serviços públicos que recebe, cada vez mais revoltada com a classe política.

“A crise de estado que atravessamos fica clara ao evidenciarmos, por exemplo, que desde a crise dos anos 80, alguns curtos períodos de euforia, o país vive uma estagnação em sua renda per capita. De 1930 a 1980, sua taxa média anual de crescimento foi de 4,0%, o maior crescimento do mundo naquele período. Já de 1980 a 2013, este crescimento caiu para menos de um quarto disso, segundo dados do Ipea”, relatou.

Entretanto, o senador lembra que no caso brasileiro, a reinvenção do Estado só fará sentido se um dos objetivos centrais for conferir-lhe maior capacidade de poupar e investir na infraestrutura física, social e tecnológica, ensejando maior competividade à indústria nacional nos mercados globalizados.

“Possuir um governo eficaz, um estado estruturado a partir de objetivos nacionais previamente definidos, passou a ser o grande diferencial a explicar a riqueza e a pobreza das nações”, frisou. “O Brasil tem posição geopolítica estratégica, e não pode se eximir de pensar seu futuro, de buscar assento privilegiado no concerto das nações. Este debate deve ocorrer em círculos de elevado poder decisório, daí porque o senado da república não pode ficar indiferente ao tema”, acrescentou Elmano Férrer.

Para o senador, a desilusão com os governos se tornou endêmica. O momento político e econômico delicado que o Brasil e o mundo atravessam potencializou esta desilusão, mas o cerne da questão vem de longe, alimentado pelo distanciamento histórico entre promessas eleitorais e as práticas no exercício dos mandatos conferidos pelo povo.

“Parte da desilusão popular vem do frequente comportamento teatral dos seus representantes, que culmina em equivocados impasses políticos e atuação em descompasso com seus anseios e com os interesses do estado”, destacou. E reforçou: “A crise do estado é também a crise da própria sociedade. A confiança nos governos despenca em todo o planeta. A incapacidade dos governos darem respostas aos problemas sociais é um terreno fértil para a exacerbação de paixões políticas, posições extremistas e mudanças no cenário político, fatos que muitos chamam indevidamente de reação conservadora”.